segunda-feira, 26 de abril de 2010

The Sleeper (Tradução)


Boa noite, pessoas e pessoas!

Para quem nunca ouviu falar, Edgar Allan Poe foi um dos grandes gênios da literatura estado-unidense. Nascido em Boston, no dia 19 de janeiro de 1809, o Sr. Poe contemplou o Romantismo do séc. XIX com maravilhosa coleção de contos e poemas. Em sua obra o autor bebe da melancolia e da morbidez típicas da época. Seu estilo também influenciou, em partes, a sub-cultura gótica e suas vertentes. Os contos mais conhecidos são "O Corvo" e "O Gato Preto", este último retratando um homem obsecado pelo seu gato de estimação.

Tomei a liberdade de traduzir um dos poemas deste ilustre poeta. O título original é The Sleeper; foi adaptado para música pelo "grupo" Sopor Aeternus & The Ensemble of Shadows no ano de 1999 [em breve postaremos o album com o poema musicado]. E, por fim, amantes de Edgar Allan Poe, espero que apreciem esta tradução.


A Que Dorme

À meia-noite, no mês de Junho,
Eu estou sob a mística lua.
Um vapor como ópio, orvalhado, turvo,
Exala de seu dourado redor,
E, suavemente pingando, gota por gota,
Sobre o topo da silente montanha,
Rouba a sonolência e a musicalidade
Do vale universal.

O alecrim acena sobre a sepultura;
O lírio refestela-se pela água;
Envolvendo a névoa de seu peito,
A ruína deteriora-se no túmulo;
Assemelha-se a Letes, vede! O lago
Um sono consciente parece pegar,
E não poderia, pelo mundo, despertar.
Toda beleza dorme! – e vede! Onde jaz
Irene, com suas Parcas!

Oh, donzela luzente! Pode ser certo –
Esta janela aberta para a noite?
Os lascivos ares, do topo das árvores,
Com riso direto à queda da rótula –
Os incorpóreos ares, uma horda de bruxas,
Muda teu quarto por dentro e por fora,
E ondula o dossel cortinado
Tão espasmódico – tão pavoroso –
Acima da fechada e debruada pálpebra
Sob o que tua alma sonolenta jaz oculta,
Isto, sobre o assoalho e muro abaixo,
Como fantasmas, as sombras levantam e caem!
Oh, querida donzela, tu não tens medo?
Por que e o que tu és dormindo aqui?
Sem dúvidas tu caíste sobre mares distantes,
Um espanto para as árvores do jardim!
Estranha é tua palidez! Estranho é teu vestido,
Estranho, acima de tudo, são teus longos cachos,
E todo este solene silêncio!

A donzela dorme! Oh, poderia seu sono,
Que é duradouro, então ser profundo!
O paraíso a tem em seu sagrado calabouço!
Este quarto trocado por mais um santuário,
Esta cama por mais uma melancolia,
Eu rezo a Deus que ela descanse
Para sempre de olhos não abertos,
Enquanto os pálidos fantasmas se vão!

Meu amor, ela dorme! Oh, poderia seu sono,
Como é duradouro, então ser profundo!
Suaves seriam os vermes em seu rastejo!
Longe na floresta, turva e velha,
Por ela abrir-se-ia algum alto mausoléu –
Algum mausoléu que espargiu sua escuridão
E xairéis ligeiros, agitados no dorso,
Triunfante, sobre as mortalhas cristadas,
De seu grande funeral de família –
Algum sepulcro, remoto, sozinho,
Contra o portal que ela própria fiou,
Na infância, muitas pedras inúteis –
Alguma tumba de fora cujo som da porta
Ela nunca deva forçar mais um eco,
Emocionante pensar, pobre criança pecadora!
Foi a morta quem sofreu por dentro.



Postado por Trovador

Nenhum comentário:

Postar um comentário